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Câmara de Caçapava abre Comissão Processante para investigar prefeito Yan Lopes

Comissão Processante contra Yan Lopes é aberta em Caçapava

Comissão Processante contra Yan Lopes é aberta em Caçapava

Câmara de Caçapava abre Comissão Processante para investigar prefeito Yan Lopes

Recebimento da denúncia foi aprovado por unanimidade dos dez vereadores presentes. Prefeitura afirma que os recursos questionados ajudaram a manter a tarifa de ônibus em R$ 4,20.

Caçapava, 12 de agosto de 2026 — Redação TV Attual

A Câmara Municipal de Caçapava aprovou, na noite desta terça-feira (11), o recebimento de uma denúncia contra o prefeito Yan Lopes (Podemos) e a abertura de uma Comissão Processante para apurar possíveis irregularidades na utilização de recursos públicos.

Segundo relatos publicados por veículos regionais, a votação foi aprovada por unanimidade dos dez vereadores presentes na sessão. A vereadora Catiane Fonseca (União Brasil) não participou da votação.

A denúncia questiona o uso de aproximadamente R$ 2,6 milhões do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito para o pagamento de subsídio tarifário ao transporte coletivo.

É importante destacar que a abertura da Comissão Processante não representa cassação automática, afastamento do prefeito ou conclusão de que houve irregularidade. O procedimento inicia uma etapa formal de apuração, com direito à defesa e ao contraditório.

Comissão Processante é formada

Após o recebimento da denúncia, foram sorteados os três vereadores que integrarão a Comissão Processante:

  • Dani Galdino (Republicanos);
  • Fran Miranda (PL);
  • Pablo Fernandes (DC).

De acordo com o Regimento Interno da Câmara, os integrantes deverão escolher entre si o presidente e o relator da comissão.

O colegiado será responsável por analisar a denúncia, documentos, provas e argumentos apresentados pelas partes durante a tramitação.

O que diz a denúncia

A representação foi apresentada por Eugênio Pinto de Freitas Filho, conhecido como “Geninho da Funerária”, e outras três pessoas.

Segundo os autores, cerca de R$ 2,6 milhões do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito teriam sido utilizados para subsidiar o transporte coletivo de Caçapava. A denúncia questiona se essa finalidade estaria de acordo com as regras aplicáveis aos recursos provenientes de multas de trânsito.

O documento também aponta suposta utilização de recursos do fundo para o pagamento de contas de energia elétrica e questiona o atendimento a pedidos de informações encaminhados pela Câmara à Prefeitura.

Essas afirmações fazem parte da denúncia e ainda serão analisadas pela Comissão Processante. Não há, neste momento, conclusão definitiva sobre a regularidade ou irregularidade dos atos questionados.

Legislação citada no caso

A denúncia menciona o artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro. O dispositivo determina que a receita arrecadada com multas de trânsito seja aplicada exclusivamente em áreas como sinalização, engenharia de tráfego, engenharia de campo, policiamento, fiscalização, renovação de frota circulante, educação de trânsito e habilitação de condutores de baixa renda.

Também é citada a Resolução nº 875/2021 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A norma lista despesas relacionadas à engenharia de tráfego e de campo, incluindo estudos e implantação de faixas ou pistas exclusivas e preferenciais para o transporte coletivo, corredores, terminais de ônibus e intervenções na infraestrutura viária voltadas à segurança e à fluidez do trânsito.

Os denunciantes sustentam que essas regras não autorizariam o pagamento de subsídio tarifário às empresas de transporte coletivo ou o custeio de eventuais déficits contratuais. A Prefeitura, por sua vez, deverá apresentar sua interpretação jurídica e os documentos que fundamentaram os pagamentos.

O que diz a Prefeitura

Em manifestação divulgada após a votação, a Prefeitura de Caçapava afirmou que os recursos do Fundo Municipal de Trânsito foram utilizados para garantir a continuidade do transporte público coletivo.

Segundo a Administração, a medida contribuiu para manter a tarifa de ônibus em R$ 4,20, evitando o repasse de eventual aumento de custos aos passageiros.

A Prefeitura também informou que as decisões foram tomadas com base no interesse coletivo e em parecer da Procuradoria-Geral do Município. Durante a tramitação, a Administração deverá apresentar documentos, informações e argumentos técnicos e jurídicos sobre as medidas questionadas.

O prefeito Yan Lopes permanece no cargo enquanto o processo tramita.

O que aconteceu antes

O caso teve um episódio anterior no fim de julho.

Em 30 de julho, Eugênio Pinto de Freitas Filho havia protocolado um primeiro pedido de cassação contra o prefeito, mencionando aproximadamente R$ 2.161.600 do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito.

Na segunda-feira, 3 de agosto, o autor pediu o arquivamento da primeira denúncia, alegando motivos de força maior. Na mesma ocasião, Yan Lopes classificou o pedido como uma tentativa de golpe e afirmou que havia motivação política, segundo relatos da imprensa regional.

A nova denúncia, apresentada posteriormente por quatro autores e com valor apontado de aproximadamente R$ 2,6 milhões, foi recebida pelo plenário na sessão de 11 de agosto.

Quais são os próximos passos

Após a instalação formal, a Comissão Processante deverá notificar o prefeito e encaminhar cópia da denúncia e dos documentos apresentados.

O prefeito terá prazo de dez dias para apresentar defesa prévia por escrito, indicar as provas que pretende produzir e arrolar testemunhas.

Se a comissão entender que o processo deve continuar, poderão ser realizadas diligências, análise de documentos, depoimentos e audiências. Ao final da instrução, o prefeito terá nova oportunidade de apresentar suas alegações.

Depois disso, a comissão elaborará um parecer e poderá solicitar a convocação de uma sessão de julgamento.

A decisão final caberá ao plenário da Câmara, em votação nominal. Uma eventual cassação dependerá do cumprimento de todas as etapas legais e do voto favorável de pelo menos dois terços dos vereadores.

O Decreto-Lei nº 201/1967 prevê que o processo seja concluído em até 90 dias contados da notificação do acusado. Caso o prazo não seja respeitado, o processo poderá ser arquivado, sem prejuízo da apresentação de nova denúncia nos termos legais.

Contexto político

O denunciante é marido da vice-prefeita Juliana Freitas, que foi eleita na mesma chapa de Yan Lopes em 2024. Reportagens regionais também o identificam como candidato a deputado federal nas eleições de 2026.

O prefeito já havia atribuído motivação política ao primeiro pedido. Esses elementos fazem parte do contexto do caso, mas não permitem, por si só, concluir sobre o mérito da denúncia ou sobre a responsabilidade de qualquer pessoa.

A TV Attual acompanhará as próximas etapas da Comissão Processante e manterá espaço aberto para manifestações da Prefeitura, da Câmara Municipal, dos denunciantes e da defesa do prefeito.

Fontes: Câmara Municipal de Caçapava, Prefeitura de Caçapava, Band Vale, THMais, 012 News, Decreto-Lei nº 201/1967, Código de Trânsito Brasileiro, Resolução Contran nº 875/2021 e Regimento Interno da Câmara Municipal.

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